Michael Porter: o poder da estratégia contínua para as empresas

Posted on setembro 2, 2010

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O consumidor de hoje tem muitas opções na hora de escolher um produto ou serviço. Existem cada vez mais empresas no mercado disputando o mesmo espaço e o mesmo cliente. Além disso, se antes os concorrentes diretos estavam localizados próximos um do outro, a internet deixou essa concorrência sem fronteiras.
Devido a essa atual estrutura competitiva, é fácil verificar uma mudança no comportamento das organizações comparada às últimas décadas. Se antes não era necessário um projeto elaborado para montar um negócio, hoje, o sucesso de empreendimentos é consolidado através de um planejamento baseado em excelentes estratégias. Mas como exatamente podemos definir essas estratégias?
Michael Porter, considerado o pai da estratégia moderna e citado em vários rankings como o mais influente pensador da gestão e competitividade no mundo, destaca que os gestores precisam ter total conhecimento sobre o seu negócio e decidir o que irão focar e também aquilo que não será feito. “É preciso ter clareza sobre as estratégias para dar certo o negócio. O objetivo de uma empresa não deve ser de se tornar grande, mas obter um bom retorno sobre o investimento”.

Trabalhando a estratégia emergente
Durante sua apresentação no Fórum HSM, realizado em São Paulo, no final do mês de agosto, Michael Porter ressalta que a boa estratégia é aquela que está em constante renovação.
Porter explica que “o mundo muda o tempo todo” e, por isso, as empresas que focam na estratégia de antecipação ficam limitadas. Para Porter, elas precisam pensar na estratégia emergente, pois essa é uma fórmula de interação ininterrupta entre a ação e definição dos objetivos. “Na estratégia emergente, em vez de se antecipar, a empresa experimenta, aprende e, com o tempo, a estratégia emerge naturalmente.”
Para isso, o professor de Administração e Economia da Harvard Business School explica que se deve unir as ideias que surgem no cotidiano para implementar a melhor tática possível. “A estratégia não é algo rígido, é preciso agregar os ‘insights’ que surgem no dia a dia. É preciso pensar no gerenciamento através de melhorias contínuas”, relata Porter.

A hora da responsabilidade social
Hoje, a tendência para a estratégia corporativa é a responsabilidade social. Segundo Michael Porter, as empresas que apostaram ou apostam em suas estratégias baseadas nessa nova disposição empresarial possuem mais chances de ampliar seu mercado e ultrapassar seus concorrentes.
“Os valores do cliente mudaram significativamente nos últimos anos e estão mais voltados e preocupados com a pobreza e a sustentabilidade. As pessoas estão pensando diferente sobre as questões da responsabilidade social”, relata o pai da estratégia.
Para Porter, esses novos valores devem ser usados não só como uma questão de imagem perande a sociedade, mas como algo eficiente e produtivo para o próprio negócio.
Segundo o professor, são poucas as empresas que realmente conseguem visualizar e aliar a sustentabilidade a favor da gestão financeira, principalmente com a redução de custos nos negócios. “As empresas devem parar de projetar os produtos sustentáveis de forma descordenada e sem planejamento apenas para chamar atenção. Ao administrarem e pensarem no valor da utilização de um material orgânico, por exemplo, economizarão gastos nas finanças da corporação”.

A competitividade brasileira
O mundo acompanhou como o Brasil teve um desempenho satisfatório diante da recente crise econômica. Alias, o nosso país tem aproveitado diversas oportunidades de expansão nessa concorrência global. Michael Porter ressalta esse importante avanço na economia brasileira, mas destaca que o país ainda sofre com diversos problemas que dificultam um crescimento mais acelerado.
“Ninguém deve acreditar que vai crescer para sempre. O Brasil está com uma economia sólida e de otimismo, mas ainda precisa corrigir problemas como altas barreiras tributárias, déficit orçamentário elevado e muita violência”, ressalta Michael Porter.
Além disso, outro aspecto que prejudica a competitividade brasileira é que, “apesar de excelente em recursos humanos, o Brasil não tem sido grande fonte de patentes e inovação em ciência e tecnologia. É preciso melhorar as instituições científicas e a educação”. Segundo Porter, outros países considerados como emergentes – China e Índia – estão consideravelmente mais bem posicionados que o Brasil.
De acordo com sua visão, “está na hora do setor privado e dos empresários brasileiros assumirem suas responsabilidades sobre o destino da economia e tornar o país uma importante plataforma de negócios: o Brasil não será o local das commodities, nem tampouco da manufatura mais baratas”.

 Fábio Bandeira de Mello

Disponível em: <http://www.administradores.com.br/informe-se/administracao-e-negocios/michael-porter-o-poder-da-estrategia-continua-para-as-empresas/37507/> Acesso em: 02 set. 2010.

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