Jogos, Administradores e Decisões

Posted on agosto 29, 2010

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Talvez não tenhamos algo tão complexo, com variáveis, riquezas e possibilidades, como o dos exercícios de inteligências propostos por um tabuleiro de xadrez, suas regras e desafios estratégicos. Como na vida atual e real, o xadrez é resultante de uma evolução milenar, iniciando seu desenvolvimento na China ou Índia (Por volta do século V d.c) e chegando “quase” ao modelo atual por volta do ano de 1500 (Europa).
O que de comum relacionamos com o nosso estado das coisas, sejam pessoais, profissionais ou empresariais, é que em ambos os casos, na vida e nos jogos, não bastam apenas o registro dos movimentos, mas conhecer e perceber suas variáveis, em conjunto com a visão de que o ganhar deve, antes de tudo, significar garantias de se negociar ou mesmo adicionar saídas até então não exploradas. Pense que nos jogos ganhamos, abandonamos, empatamos ou perdemos e que na lógica de tudo, quanto mais ganhamos, mais somos exigidos e quando das perdas, temos sempre duas saídas, ou mudamos pelo entender de que ajustes são necessários, ou arrumamos as malinhas em direção a novas praias.
Outro ponto comum (jogo e mercado) é o fato de que o Rei tem pouca mobilidade, e quase sempre é defendido pelo conjunto do exército, aonde o integrar é a chave de êxito para os ataques e defesas quando necessários. Por outro lado verificamos um conjunto quantitativo de “piões”, que bem manuseados avançam pelo acreditar nas possibilidades de conquistas, num jogo claro de que comprometimento só existe quando acompanhado de resultados equivalentes, aumento da utilidade, respeito e reconhecimento.
Os grandes mestres desse jogo, de natureza profundamente estratégica, sabem que ele não tem fim, e que por mais estudos e técnicas que absorvemos e dominamos, está no perceber das mudanças externas, a chave de êxito para construirmos algo internamente competente, que possa ofertar pelo “estudo dos ventos” o que temos que criar para se encontrar a favor dos desejos e cenários, avançando nossas peças nos campos dos adversários rumo aos mercados.
O poder de um jogo, tal como o xadrez, vem do fato de trabalharmos com quatro frentes fundamentais: Disciplina, organização, avanço pelo conhecimento e prática. Na verdade os tabuleiros e suas peças sempre foram e serão os mesmos, podemos melhorar a técnica, o ambiente disponibilizado, mas fica sempre a missão de que tudo depende do saber construir elos que transformem pessoas em “talentos quando exigidos diante das dificuldades” pelas suas convicções individuais e a forma saudável a ser compartilhada quando formuladas em grupos.
Os jogos, sejam eles quais forem, são desenvolvidos para que qualquer um tenha o potencial de manuseio, mas o que faz alguém se diferenciar do demais é o empenho pelo fazer, pelo se envolver e pelo querer sempre avançar. Em tudo onde estamos temos o claro sentimento de que sempre, se quisermos o sucesso, devemos evoluir para não sermos estáticos e permitir que os outros tomem a nossa posição, e que, por tabela, acabem substituindo em importância a nossa presença pelo como é velho o formato do que ainda insistimos em fazer.
O ponto crítico de um jogo, de uma empresa, ou de qualquer atividade que estamos exercendo, está no estado da segurança dos grupos com que podemos nos assessorar e na hora que temos que agir com algo importante, pois tudo na vida fica pela dependência de um “sim ou não”, sempre sabendo que o “talvez” somente deve ser usado quando no sentindo de poder pensar mais, diante de uma decisão ainda não tão clara. A vida profissional é um grande jogo que passa pelo entendimento macro do ambiente escolhido, do aprender todo dia um pouco mais no como ser um técnico útil adicionado a um político hábil nas relações e condução de decisões. Decidir é algo que traz mudanças, que exige um conhecimento atualizado, muito treinamento, aprimoramento, quebra de medos, e por conseqüência o próprio fortalecimento da autoconfiança, do tipo “eu sei”, “eu faço”, “eu participo”.
Para o amanhã, hoje dependemos de um qualificado “sim ou não” diante das necessidades a serem visualizadas para os avanços, mas seja qual for à posição a ser adotada, deve estar apoiada com uma postura segura para garantir que as possibilidades sejam possíveis de acertos imediatos ou reversíveis através de manobras de ajustes pelos planos alternativos.
Na guerra dos mercados, na luta para ser melhor do que os outros, no fortalecimento das marcas, na conquista e retenção dos clientes, vivemos todo dia uma estratégia de jogo, aonde o critério da vitória nem sempre se encontrará em vencidos ou derrotados, mas na capacidade dos grupos de avaliar os fatos ocorridos para que sejam avançados e desejados.

Sérgio Dal Sasso

Disponível em: <http://www.educacaoprofissional.com.br/artigos/artigo.asp?artigo=323&pag=Estratégia> Acesso em: 27 ago. 2010.

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