Greve, o pico do iceberg

Posted on novembro 16, 2009

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Nos últimos meses, temos nos deparado com diversas greves. Tais manifestações têm pelo menos três pontos de vista distintos, que variam conforme os atores envolvidos, direta ou indiretamente, neste processo: manifestantes, empregadores e sociedade. Os manifestantes reivindicam algo que é importante para a categoria e que, por meio de negociação interna, não foi possível obter; assim, a forma utilizada para alcançar os objetivos desejados é através de movimentos grevistas. Para os empregadores, a situação reflete a perda de controle (total ou parcial) de seus colaboradores, pois neste momento há um prejuízo inevitável tanto para a imagem da instituição quanto para a economia desta; então, procuram realizar negociações urgentes ou tomar medidas extremas. Já a sociedade se divide entre opiniões favoráveis e desfavoráveis. Os que se posicionam favoravelmente, por vezes, não usufruem dos serviços prestados pelos grevistas, mas há os que pensam que as greves têm uma causa justa, mesmo que haja prejuízo para alguns, pois procuram entender o lado dos trabalhadores e, portanto, os apoiam. Já os desfavoráveis não aceitam as greves enxergando no evento tão-somente um retrato da indisciplina e desordem.
As greves não são manifestações recentes. No Brasil, a primeira greve de que se tem notícia ocorreu em 1858, no Rio de Janeiro, quando a classe dos tipógrafos realizou uma manifestação contra os patrões que pagavam baixos salários e ainda os reduziam como forma de punição. Elas nascem no instante em que as pessoas começam a refletir a respeito dos seus direitos e da realidade vivenciada no trabalho, e somente são possíveis com uma boa organização dos trabalhadores. O que fica evidente é que as greves ocorrem em cenários com sérios problemas administrativos, e a manifestação em si, ao contrário do que muitos acreditam, não é o problema, é apenas um sintoma das causas escondidas nas entranhas das organizações. É o pico do iceberg.

Júlia Cristiane Schultz-Pereira

Jornal Diário Catarinense
Florianópolis – Santa Catarina
Edição de n. 8625 de 16.11.2009

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