Perguntas descabidas

Posted on junho 1, 2009

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Pode até parecer estranho, mas a necessidade de buscar profissionais versáteis e capazes de adicionar valor à companhia provocou uma prática comum nos processos seletivos: a substituição de velhos métodos de análise de currículos e da experiência dos candidatos pelo uso de perguntas que, embora possam parecer absurdas, exigem bom-senso dos candidatos. Indagações como “quantas padarias existem em São Paulo? ” ou “quantas listras tem uma zebra?”podem acontecer no meio de uma entrevista normal para emprego, com a intenção de averiguar a capacidade do candidato em sair-se bem em uma situação inesperada. Quando isto ocorre não adiante recorrer à memória ou responder “não sei”, o que denota preguiça de raciocínio. A resposta pode até ser um número qualquer, mas é preciso que seja baseado em algum raciocínio lógico. A resposta não terá serventia ao entrevistador, pois o seu objetivo é verificar como o candidato conduz seu raciocínio e seu bom senso diante de questões banais e aparentemente sem qualquer sentido.
O candidato pode demonstrar algum raciocínio quando para responder “quantas padarias existem em São Paulo” parte de hipóteses ou modelos: imagine que uma cidade pequena com 10 mil habitantes possui em média três padarias. Nessa suposição, sabendo que São Paulo é mil vezes maior do que a cidade imaginada faz a multiplicação e chega ao número de 3 mil panificadoras. Sem dúvida o número é irreal mas se baseia em uma hipótese criativa para estimar ou buscar soluções diante de problemas apresentados.
Essa maneira de verificar o grau de flexibilidade dos candidatos e mensurar seu raciocínio não é nova. Thomaz Edison, o inventor da lâmpada elétrica, quando precisava contratar engenheiros para o seu laboratório, não hesitava em disparar questões que colocavam em dúvida a sua sanidade mental. Após as perguntas tradicionais, Edison costumava entregar ao candidato o bulbo de uma lâmpada quebrada querendo saber quanta água cabia ali dentro. Os que faziam cálculos complicados para chegar à resposta eram rápida e simplesmente dispensados. Ganhavam a vaga aqueles que, mesmo com insegurança, enchiam o bulbo com água e depois a despejavam em um copo graduado para descobrir a medida. Mais do que a quantificação técnica, Edison procurava engenheiros que faziam uso do bom senso e solução de problemas.
A simulação de problemas do trabalho é outra tendência. A simulação aplicada após as entrevistas ou testes escritos é uma tese em que os candidatos apresentam, por exemplo, soluções de como tirar a empresa do prejuízo. A idéia não é obter respostas concretas, mas colocações que possam contribuir para a estruturação do problema. […].

CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. p. 144 – 145. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

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