O professor

Posted on maio 21, 2009

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42-17205559Por muito tempo, na concepção tradicional da educação, o papel do professor era o de ensinar, transmitir o conhecimento e, até, em muitos casos, o de deter o saber. Na mesma proporção, o aluno desempenhava – e, em muitas situações, ainda desempenha – o mero papel de aprendiz visto que ele é quem ocupava posição receptiva nos bancos escolares, seja qual for o nível de formação.
Esta imagem, por tanto tempo transmitida e reproduzida, levou as pessoas de modo geral a acreditarem que o professor realmente é sempre aquele que mais sabe, e que não é possível existir alguém que tenha tal capacidade. Até por isso, seus eventuais erros, na cátedra, seriam inadmissíveis ou serviriam de chacota por parte dos demais.
Referida postura (de ambas as partes) levou as pessoas a economizarem pensamentos, contestações, argumentações, visões diferenciadas sobre um mesmo assunto e, gradativamente, foram se tornando passivos em relação ao repasse de informações e cultura, pois se acostumaram a receber as (prontas) respostas de seus professores, acreditando-as como a (única e mais pura) verdade; assim, sem questionamentos, apenas reproduziam aquilo que era ouvido como verdade incontestável.
Nos bancos universitários é possível encontrar os mais fortes reflexos deste condicionamento. Quando o professor, por exemplo, solicita dos alunos que eles escrevam o que entenderam a respeito de determinada situação, eles se desesperam e, simplesmente, não sabem como fazer! Lamentavelmente, em boa parte das situações, os alunos não são os reais culpados pela situação em que se encontram, porque, em verdade, muitos professores e instituições transmitiram as matérias e os conhecimentos somente com a intenção de que eles fossem memorizados, decorados e não internalizados!
Outra questão é a da mentirosa infalibilidade. O professor por excelência é aquele que reconhece e sabe que é tão falível quanto qualquer outra pessoa; por isso, não se coloca acima dos outros, e procura proporcionar múltiplas oportunidades de aprendizado, valorizando as habilidades diferentes presentes em seus alunos, ou utiliza-se de qualquer acontecimento corriqueiro para ensinar algo de bom. Por fim, ele tem atitudes que levam os alunos a desejarem suas aulas, porque o aprendizado está aliado ao prazer e não à obrigação.

Júlia Cristiane Schultz-Pereira

Jornal Diário Catarinense
08/02/2007  N.7608

Posted in: Cotidiano